segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pérola Roubada: O Rosto de Deus


Ricardo Gondim

Rafael, Michelangelo e vários outros pintores tentaram retratar o rosto de Deus. Foram infelizes. Como mostrar na tela quem nunca foi visto? Com a proximidade do Natal, mais artistas procuram esboçar o que imaginam ser o rosto de Deus.

Ele se parece com uma criança? É o frágil bebê das manjedouras? Talvez; o reino do céu pertence aos pequeninos, aos que mamam. Ao tentar desenhar o mistério, o artista termina com um ídolo.

O rosto de Deus, entretanto, pode ser experimentado nos sem-teto que perambulam pelas ruas e dormem nos viadutos das grandes cidades. Quando Jesus nasceu, a família estava sem moradia certa, não possuía recursos para pagar uma hospedaria e viu-se obrigada a refugiar-se em um estábulo.

O rosto de Deus pode ser percebido em vítimas de preconceito e em injustiçados. Sobre o menino que nasceu em Belém pairou uma dúvida: ele era de fato filho de José? O casal não inventara aquela história toda para se safar de um rolo?

O rosto de Deus se revela nos desprezíveis, nos que foram condenados à margem da história. Quando o menino nasceu, ninguém notou ou escutou o alarido dos anjos. A trombeta que anunciou paz na terra pela boa vontade de Deus passou desapercebida da grande maioria. Apenas um punhado de pastores foi sensível para presenciar o momento mais importante da história.

Qual o rosto de Deus? Ele não se parece com os cartões postais ou com o menino de barro das lapinhas. Deus é igualzinho a Jesus. E Jesus é bem parecido com o vizinho do lado, com a mulher que pede socorro na delegacia do bairro e com a família que chora a morte do filho no corredor do ambulatório.

Não é preciso muito para encontrar Deus, basta um coração de carne, humano.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Hamartía

19/11/10


Algumas coisas, creio, que tem que ser desmistificadas, e um dos exemplos mais contudentes que existe no meio judaico-cristão, porque não dizer islâmica também, e, sobretudo com a ploriferaçãoo do cristianismo ao longo da história. É a ideia de pecado, que do grego, sua tradução, ou etimologia significa; erro, ou nos jogos antigos era "errar o alvo", ou seja, quem errava o alvo cometia uma hamartía.

Paulo, apóstolo, numa de suas cartas, mais especificamente aos filipenses, no capítulo 3, versos 13 e 14, diz:

"...só procuro isto, prescindindo do passado e atirando-me para a frente, persigo o ALVO, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo."

Nesses versos, atentem-se para "ALVO", isto é (assim penso, e faço uma ilustração), quando mais perto do alvo, óbviamente, muito mais fácil de acertar, mais longe, haverá dificuldade de alvejá-lo, correto? Evidente!

Com essa doidisse, esrevo aos senhores, que assim torna-se mais fácil encarar essa palavrinha - contestada, por alguns, falada por muitos, e não perdoada por centenas de milhares de religiosos - e estes esquecem que existiu O Cara que eliminou toda hamartía daqueles que veem no madeiro escorrendo o Sangue que a expiou...

Bem, o erro ao alvo existe, mas não quer dizer que não possa existir o perdão dele, ora bolas... Porém a idiotisse proselitista supervaloriza o pecado esquecendo que há quem possa nos livrar dessa escravidão psicológica, tudo é uma "hamartía", não pode isso, não aquilo... Ai, ai meu Jah, quanta besteira...

Ufa! Ainda bem que existe esse Blog para alertá-los (viiuxe... risos), melhor dizendo, ainda bem que existe o Mestre de Nazaré para olhar pra você e dizer: "Eu não te condeno, vá e não erre o alvo, não "harmateis", não peques mais", difícil? Não! Impossível! Mas é justamente isso... Mesmo "harmartiando", com ele, apesar dele, Cristo Ama você , sempre!

É um amigão que sempre conta conosco, e esquecemos muitas vezes de contar com Ele!


Pense nisso!




Marcus Rios, um "hamartiador" justificado, sem merecer...





Ilustração Etimológica, fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hamartiologia

Hamartiologia (do grego transliterado hamartia = erro, pecado + logós = estudo), como sugere o próprio nome, é a ciência que estuda o pecado e as suas origens e consequências, ou — se preferível — o estudo sistematizado daquele tema (pecado). Referir, pois, hamartia como "pecado" no sentido espiritual judaico-cristão justifica-se por sua comprovada presença nos textos do Novo Testamento, da Bíblia Sagrada judaico-cristã, fato comprovável por várias traduções/versões de renome mundial, embora a concepção (logo, o conceito) de pecado, em si, variem com as culturas, posto que com as variadas concepções de espiritualidade e/ou religiosidade.

O estudo do pecado e sua origem inevitavelmente incorre na questão da natureza do mal, assim como da relação deste com o homem.

Conquanto usualmente concebido como ramo da teologia cristã, não é necessariamente a esta vinculado, pois esse conceito, em sua abrangência, complexidade e diversidade de entendimentos culturais enseja também, necessariamente, várias concepções em seu estudo.

É, assim, legítimo investigar a gênese e a dinâmica desse conceito e dos seus valores também sob outras ópticas, como a filosófica e a científica e, neste domínio, a médico-psicológica, todas elas necessariamente entrelaçadas pela idéia comum do pecado, como quer que isso signifique ou importe em particular para cada pessoa, per se e no seu núcleo vivencial.


(...)